quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DIABETES E COMPLICAÇÕES NA PELE



Os diabéticos não podem se preocupar apenas com alimentação e medicamentos que reduzem os níveis de glicose. Também precisam tomar cuidados especiais com a pele, já que são mais suscetíveis a infecções dermatológicas e têm cicatrização demorada — um machucado superficial pode facilmente se transformar na porta de entrada para doenças infecciosas graves. Além disso, o ressecamento e o endurecimento da pele contribuem para reduzir os movimentos.

"Os diabéticos têm doenças da pele com maior frequência e com uma evolução mais complicada", resume a dermatologista Fernanda Torres, do Instituto de Dermatologia do Rio de Janeiro. “Paralelo ao tratamento do endocrinologista, é importante ter acompanhamento de um dermatologista para detectar logo as alterações e tratá-las.”

O motivo principal de tantos problemas dérmatológicos é a diminuição da irrigação sanguínea. Quando os níveis de glicose estão descontrolados, ocorrem lesões nas paredes dos vasos, principalmente os pequenos. Isso diminui o fluxo de nutrientes e de oxigênio para a pele e a remoção de substâncias tóxicas, como o gás carbônico, provocando enrijecimento. Além disso, células de defesa  chegam menos até a pele, que fica mais propensa a infecções.

“Durante a vida do diabético, a probabilidade de ele ter alguma alteração na pele é perto de 100%”, comenta Dra. Fernanda. Para evitar complicações, o mais importante é manter a doença controlada, por meio de alimentação adequada e medicação. “As alterações são proporcionais ao controle da glicose. Pessoas com diabetes tratada e controlada vão ter a pele próxima do normal. Mas é muito difícil ver um diabético bem controlado, seja porque ele não faz a dieta corretamente, não usa os medicamentos direito ou não se adapta a eles”, completa.

Doenças


Entre as infecções da pele mais comuns em quem tem diabetes estão os furúnculos (termo leigo para abcessos), as foliculites (infecções no folículo piloso) e as micoses, infecções de pele causadas por fungos. Outros sinais frequentes são pele ressecada e endurecida, unhas amareladas e cabelos fracos. Além disso, medicações para equilibrar o nível de glicose podem provocar erupções alérgicas na pele — como urticária, no caso da insulina, que às vezes também dá origem a relevos dérmicos na região onde é aplicada.

Além de dieta e medicação, alguns cuidados complementares são hidratar bem a pele, principalmente das pernas e dos pés. Os hidratantes indicados são os para pele sensível e com ureia. Beber bastante líquido também faz diferença.

A diabetes provoca ainda lesões nos terminais nervosos e diminui a sensibilidade. Assim, o paciente pode não notar a dificuldade de cicatrização de um machucado, principalmente nos pés. A recomendação é inspecioná-los com frequência e procurar o dermatologista se houver qualquer alteração. “Vermelhidão, bolha, descamação ou irritação podem parecer inocentes, mas são portas de entrada para bactérias graves. É preciso procurar o dermatologista sempre, mesmo que pareça uma bobeira”, alerta Dra. Fernanda.

Diabéticos não podem andar descalços, devem evitar atividades que façam machucados nos pés e precisam usar calçados especiais. Seguindo todas essas recomendações, é possível diminuir os problemas da pele e conviver melhor com a diabetes.

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